O Estado do Amazonas - Polícia - Reportagem - 18/10/2006 |
| Familiares moverão processos
nos EUA |
De volta a Manaus, Leonardo Amarante que advoga para 15 famílias do casos da Gol, investiga paralelamente com perito suíço |
| O advogado Leonardo Amarante, especialista em responsabilidade civil chegou a Manaus ontem à tarde para encontros com familiares de vítimas do vôo 1907 da Gol Linhas Aéreas. |
Amarante veio acompanhado do perito em economia e contabilidade Roberto Epelbaum e de uma representante do escritório de advocacia Lieff Cabraser, Heimann & Bernstein da cidade de São Francisco, nos Estados Unidos. A firma trabalha em parceria com os brasileiros no caso e é uma grande especialista em processos desta natureza. |
| "Em aproximadamente cinco
semanas entraremos com uma ação na corte
americana contra a Excel Aire e a Honeywell, fabricante
do transponder",
afirmou o advogado que tem experiência em acidentes,
inclusive aéreos. |
| De acordo com Amarante, a Excel Aire é passível de processo civil porque já foi confirmado pelas autoridades brasileiras que investigam o acidente que os pilotos do jato Legacy não cumpriram o plano de vôo como deveriam. |
| A Honeywell também pode ser processada porque um modelo do aparelho anti-colisão fabricado pela empresa já foi alvo de recall nos Estados Unidos por uma recomendação da Administração Federal de Aviação (FAA). Segundo a própria fabricante, o instrumento poderia automaticamente entrar em modo de espera (stand-by), sendo inútil para a identificação dos radares. |
| Indenizações |
| Amarante disse que no Brasil o
valor das indenizações é ínfimo
e vergonhoso, por mais este motivo as famílias devem
procurar também seus direitos fora do País.
"Nos Estados Unidos os casos são julgados por
um júri popular, o que torna mais humano o julgamento
em favor das vítimas", explica o advogado.
Segundo ele, as empresas envolvidas preferem fazer um acordo
antes do julgamento para evitar as despesas milionárias
que teriam se fossem julgadas. |
| No Brasil, a Gol terá de
pagar uma indenização para as famílias
independentemente do resultado das investigações.
"A responsabilidade da Gol não pode ser isenta
no caso porque os passageiros estavam a bordo de um de
seus aviões, por mais que ela não tenha provocado
o acidente", afirmou o especialista. |
| Ele alerta para que as famílias
não aceitem nenhuma proposta de imediato com a empresa
aérea e nem assinem recibos que cubram quaisquer
outras indenizações que possam ser pagas
posteriormente por outras partes envolvidas. "Isto é muito
importante para a família e por mais absurdo que
pareça já aconteceram casos desta natureza
no mundo", adverte. |
| Investigações buscam explicações |
| Amarante trouxe ao Brasil um especialista
suíço em acidentes aéreos, Hans Peter
Graf que passou uma semana no país e retornou à Suíça.
"Ele é um experiente perito em desastres de
aeronaves e está nos auxiliando neste caso",
declarou o advogado acrescentando que é muito importante
para as famílias terem uma investigação
extra-oficial. |
| "Seremos o contraponto
no caso, iremos atrás das informações
que não foram divulgadas como o número de
série do transponder, por exemplo", esclarece Amarante. |
O advogado e o perito Roberto
Epelbaum afirmam que é muito precoce especular
sobre valores de indenizações porque, segundo
eles, os casos possuem suas particularidades e devem
ser analisados individualmente. |